Horror, terror e gore – afinal, qual a diferença?

Já faz algum tempo que eu estava a fim de falar sobre isso e foi ótimo quando a Camila do Vida Complicada disse que gostaria de publicar em seu blog algum texto meu sobre o assunto. Eu adoro esse gênero, seja na literatura, no cinema ou em games, e até mesmo já escrevi várias histórias com essa temática. Até mesmo Alameda dos Pesadelos tem um pézinho nesse mundo, apesar de muita gente dizer que mais chorou lendo o livro do que outra coisa (o que não é nada ruim, pelo contrário, é incrível!).

Mas afinal, qual a diferença entre horror, terror e gore? E, mais ainda, existe uma diferença?

Há sim uma diferença entre os termos, mas ela é sutil, especialmente quando falamos de horror e terror, tanto que muita gente usa as palavras como sinônimos. Vamos recorrer à Wikipedia:

“Terror ou Horror é um gênero literário, cinematográfico ou musical, que está sempre muito ligado à ficção e fantasia, e que também pode ser verificado na pintura, no desenho, na gravura e fotografia. A abstrata idéia de terror ou o ato de transmitir o sentimento de terror ou horror pode ser verificado em todas as formas de arte. Ao decorrer da década de 1990, até os dias de hoje, o gênero também compreende um estilo de desenvolvimento de jogos eletrônicos.”

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Ok, a Wikipedia também utiliza os termos como sinônimos e define como o “ato de transmitir o sentimento de terror ou horror”. Obrigada, Wikipedia, você não ajudou muito a gente, não é verdade? Porque, afinal, o que são esses sentimentos? Como defini-los?

“Terror é geralmente descrito como o sentimento de medo e expectativa que precede a experiência horrível. Por outro lado, horror é o sentimento de repulsa que geralmente ocorre depois de algo assustador é visto, ouvido ou experimentado. É a sensação que se tem depois de chegar a uma realização terrível ou experimentar uma ocorrência profundamente desagradável. Em outras palavras, horror está mais relacionado a ficar chocado ou assustado (sendo horrorizado), enquanto o terror está mais relacionada à ansiedade ou medo. Horror também pode ser definido como uma combinação de terror e repulsa.” Fonte

Obrigada, Wikipedia em inglês, você sempre é bem mais detalhada!

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Perceberam a diferença? O terror é muito mais sobre ficar ansioso antes de algo horrível acontecer, enquanto o horror é o sentimento de repulsa após algo horrível acontecer. O que importa é que ambos são sentimentos e, portanto, algo extremamente subjetivo. O que para você pode dar medo ou nojo, pode ser normal para o seu vizinho, por exemplo. Esse “algo horrível” pode ser qualquer coisa, desde uma barata repulsiva gigante até a morte de um ente querido. O sentimento é diferente para cada pessoa e jamais duas pessoas vão sentir algo da mesma maneira.

Um exemplo de uma obra que me causa arrepios só de lembrar é o conto O Fantasma ou The Boogeyman, de Stephen King. A história toda se passa com um cara se consultando num psiquiatra e contando como seus filhos foram mortos por uma entidade sinistra no meio da noite. Não há um pingo de sangue no conto e aparentemente nada acontece, mas durante toda o texto o leitor fica ansioso, sentindo a tensão se avolumar a cada linha. É uma leitura sufocante. Quase todo o texto é terror, e o horror só dá as caras no desfecho perturbador do conto. É meu conto preferido do King, mas pode não ser o seu; pode ser até que tenha alguém por aí que não viu nada de especial nessa história.

Mas, se os sentimentos são tão completos e tão tênues, como agir, especialmente se você está escrevendo/criando algo e deseja que isso cause um sentimento de horror/terror?

Acredito que não haja uma fórmula exata. O importante, de verdade, é construir uma história com tensão, que envolva o leitor/telespectador e cause algum tipo de sentimento. Porém, não há como saber se esse sentimento vai ser de medo, ansiedade, repulsa, choque ou, até mesmo, lágrimas ou revolta. Isso vai depender de como a pessoa do outro lado vai reagir e cada um reage à sua própria maneira. Eu adoro horror e terror, mas não sou uma pessoa que se assusta fácil; quando eu assisti O Exorcismo de Emily Rose dei risada o filme inteiro e toda vez que jogo Silent Hill 4 o que mais faço são piadas durante o jogo e às vezes até fico cantando. E não sou a única maluca que faz isso, não.

Mas nenhuma dessas reações causa um demérito nas obras, que são excepcionais. É apenas a minha reação; não sou nenhuma psicóloga, mas isso pode até ser uma maneira que eu tenho de lidar com o medo, quem sabe? É aí que  entra o bom senso do leitor/telespectador: a obra é ruim ou é você que é pouco impressionável? Enquanto você dá risada, o vizinho pode estar se borrando nas calças. Você sentiu algo, apesar de não sentir medo? Quem sabe você não ficou tenso ou ansioso? Isso já é um sentimento e uma vitória para o criador da história. E uma coisa importante: nem todo terror/horror tem sangue espirrando.

É aí que entra o gore ou splatter.

Todo gore é um horror/terror. Mas nem todo horror/terror é um gore.

“Splatter filme splatter ou filme de Gore é um subgênero do cinema de terror que, deliberadamente, se concentra em representações gráficas de sangue e violência gráfica . Estas películas, por meio da utilização de efeitos especiais, tendem a apresentar um interesse evidente na vulnerabilidade do corpo humano e a sua teatral de mutilação.”Fonte

Gore é um subgênero, portanto, você nem sempre vai ler uma história de terror ou de horror envolvendo sangue e tripas. Há exemplos de obras de horror que não têm sequer uma gota de sangue, tudo pode se desenvolver apenas com a tensão e, principalmente com o terror psicológico. Essa é uma das áreas que eu mais gosto de trabalhar em meus textos; os conflitos internos do ser humano, o medo de si próprio, o choque envolvendo suas próprias ações, dilemas de consciência, a reação ao inesperado. Já ouvi leitores reclamando que havia pouco sangue em meus textos; bem, aí vai, eu não escrevo gore, apesar de já ter visto/lido muita coisa assim, não sou a maior fã dessa coisa gráfica e violenta, prefiro muito mais causar um sentimento desagradável na boca do estômago do que fazer a pessoa vomitar. Então, se você procura gore, violência, mutilação ou algo do gênero, meus textos não são pra você.

Exemplos clássicos de gore: A Centopéia Humana e A Morte do Demônio.

Agora, se você curte tensão, ansiedade e medo em uma história, com poucas doses de sangue ou talvez sem sangue algum, aí sim pode dar uma chance aos meus textos. Quem sabe não desperto algum sentimento em você? 😉

O último dia de outubro (saiba como adquirir)

Emílio Bianco é um serial killer sofisticado; os assassinatos que realizou durante trinta anos de carreira eram verdadeiras obras de arte. Suas pinturas de morte ainda assombram e despertam o mórbido interesse dos especialistas. Atualmente está enterrado vivo em uma instituição psiquiátrica, para segurança de todos. Mas Emílio ainda tem uma última obra a finalizar. O final de outubro se aproxima.

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Horror em Gotas (saiba como adquirir)

“Vou lhe contar uma história, mas você tem que prometer não contar a ninguém. Queime esses papéis.”
Horror em Gotas reúne 30 contos de terror, uma gota por dia, um pesadelo por noite, para que você sinta o horror desses personagens na própria pele. Tranque as portas. Apague as luzes. Não olhe para trás. O medo está à espreita e o seu tempo está acabando. Tique. Taque.

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Noites Negras de Natal e outras histórias (saiba como adquirir)

Um casal numa jornada sombria, um jovem isolado com os sobrinhos em um sítio macabro no interior de Minas, operários numa obra suspeita e uma mulher amaldiçoada. São esses os personagens que você vai encontrar em Noites Negras de Natal e outras histórias.

Nessa coleção de 4 contos, as escritoras Karen Alvares e Melissa de Sá se lançam em histórias sobre o que tem no escuro da noite e atrás da porta. 4 contos de terror, dos quais 2 são especiais natalinos.

Do que você tem medo no Natal?

Revista Black Rocket – Edição 06 – Feliz Natal Zumbi (baixe grátis)

Esta é a primeiríssima edição de contos de ficção científica com a temática Natal Zumbi lançada no Brasil.

Por que juntar natal e zumbis para esta edição especial? Primeiro, porque os zumbis nunca foram tão populares. De personagens desprezados, ganharam os holofotes e se tornaram estrelas. Segundo, porque, de todas as épocas do ano, o Natal durante um apocalipse zumbi seria muito mais duro para os coitados que lutam pela sobrevivência.

Esta edição, com toda certeza, será uma ótima companhia para o seu Natal.

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Alameda dos Pesadelos (saiba como adquirir)

Vívian era apenas uma mulher solitária, com uma vida normal, presa em sua rotina sem graça, até a noite em que presencia um acidente. A partir daí seu pesadelo começa; ela passa a ter visões de um homem que conheceu no passado e desejava nunca mais encontrar. E o pior: ele quer vingança.
Até que ponto um pesadelo é fruto da imaginação? Vívian descobre que o limite entre a alucinação e a realidade é tão pequeno que a loucura está a apenas um passo de distância e o pesadelo pode estar escondido na nossa mente, como um monstro à espreita, esperando sua chance de despertar. E para escapar do seu horror particular, Vívian precisará entender quais foram seus erros. E finalmente aceitar a própria culpa.

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Comments
2 Responses to “Horror, terror e gore – afinal, qual a diferença?”
  1. Ótimo texto! E eu estou com você, não sou fã de gore. Esse a centopeia humano é algo que só provoca nojo, apenas pelo conceito. Quando li horror em gotas, fiquei surpreso e contente por não ter nada gore, e foi uma ótima maneira de conhecer seus textos, que são sempre maravilhosos.

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  2. Gostei muito de seu texto, eu já conhecia os termos, mas nunca me perguntei realmente qual era a diferença entre eles e seu texto foi bastante esclarecedor nesse quesito 😉

    Até mais!

    Otávio Braga || bookolicos.com

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