Degustação – Noites Negras de Natal e outras histórias

Noites Negras de Natal e outras histórias é uma antologia de quatro contos de terror – dois deles com tema natalino – que escrevi em parceria com a talentosa e querida autora Melissa de Sá. O livro foi publicado de maneira independente no final de 2012 e está disponível para compra na Amazon nesse link em formato digital.

Um casal numa jornada sombria, um jovem isolado com os sobrinhos em um sítio macabro no interior de Minas, operários numa obra suspeita e uma mulher amaldiçoada. São esses os personagens que você vai encontrar em Noites Negras de Natal e outras histórias. 

Nessa coleção de 4 contos, as escritoras Karen Alvares e Melissa de Sá se lançam em histórias sobre o que tem no escuro da noite e atrás da porta. 4 contos de terror, dos quais 2 são especiais natalinos. 

Do que você tem medo no Natal?

Noites_Negras_de_Natal

E agora que tal uma degustação da história? Leia a primeira parte dela, aqui no blog, de graça, ou no Wattpad!

Noites Negras de Natal e outras histórias

Karen Alvares e Melissa de Sá

Copyright © 2012, Karen Alvares e Melissa de Sá.

Revisão

Karen Alvares
Melissa de Sá

Diagramação

Melissa de Sá

Capa

Karen Alvares
em colaboração com Lucivânia Façanha

Publicado em dezembro de 2012.

Segunda edição em dezembro de 2013.

Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9610 de 19/02/1998.

É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios existentes ou que venham a ser criados no futuro sem autorização prévia, por escrito, dos autores.

Para mais conteúdo, acesse:

www.papelepalavras.wordpress.com

www.mundomel.com.br

 Para Felipe. Obrigada por me dar sonhos.

– Karen.

Para meu pai. Que jogava xadrez comigo em noites chuvosas e que me deu meu primeiro livro de terror.

– Melissa.

 O Último Panetone de Natal 

Karen Alvares

Deveria fazer horas desde que trocaram alguma palavra. O silêncio só não era completo porque Pablo ligou o rádio do carro em algum ponto do dia. Tocava Ramones. Era incrível como conseguiam passar horas sem dizer nada; quer dizer, Rafaela conseguia, enquanto Pablo se sentia péssimo com o silêncio quase material. Certeza que a pessoa que disse que mulher fala muito estava redondamente enganada, pelo menos se estivesse falando do casal dentro daquele carro. Pablo já sentia estar mordendo os lábios para se controlar, já que da última vez que tentara puxar assunto, Rafaela pedira para que ele calasse a boca, sem nenhuma cerimônia, para depois acender um cigarro. Pelas contas de Pablo, o quinto naquele dia.

“Paciência, gafanhoto”, Pablo disse a si mesmo pela décima vez, em pensamento. Ele tinha prometido a Rafaela que seria paciente com ela no início da viagem. Droga, ele tinha prometido logo depois que tudo aconteceu. Porque isso ele não podia reclamar: ela foi sincera o tempo todo. Logo depois do acidente, logo após o choro, o grito e todos os objetos quebrados, Rafaela lhe disse com todas as palavras que ele podia escolher naquele momento o que queria fazer: ficar com ela ou deixá-la. E se ele ficasse, teria que ter paciência. Muita paciência.

Rafaela nunca foi uma namorada convencional. Por isso, Pablo queria dizer uma garota que gostasse de receber flores, que usasse saias ou que fosse delicada para comer – o padrão, segundo o que ele pensava. Nada disso. Ela sempre foi o oposto e, para falar a verdade, era isso que o encantava. Outro ponto era que ela não era uma pessoa conhecida por sua calma. Rafaela, quando ficava irritada, costumava falar bem alto e gesticular, e quando era Pablo o motivo daquela raiva, bem, ele ultimamente apenas a olhava e ficava imaginando a cena em câmera lenta, com a voz de Rafaela bem devagar e pastosa.

Quando contava isso para ela, dias depois (quando ela estava mais calma, obviamente), a garota costumava rir.

Mas agora fazia um bom tempo que ela não ria. E Pablo sabia que era isso que o incomodava mais. Apesar de tudo, Rafaela era uma pessoa feliz. Na verdade ela tinha tudo, tudo o que Pablo não tinha, e isso não era um motivo de inveja e sim de admiração para ele: quem sabe ele poderia pegar emprestado um pouquinho dessa felicidade? Só que agora ele sentia mais que tudo falta do seu sorriso, da sua alegria. E pensar que tudo aquilo se fora tão fácil, tão rápido.

– Dá pra parar com isso?

Era Rafaela. Pablo olhou para a garota ao seu lado. Ela ainda segurava um cigarro pela metade entre os dedos. A fumaça subia em espirais preguiçosas. Atada ao pulso direito da garota – aquele mesmo da mão que segurava o cigarro – estava uma fita preta. Rafaela colocou aquela fita no dia que seus pais morreram. Quando Pablo perguntou, ela respondeu apenas que era uma lembrança.

– Não olhe pra mim. Olhe para estrada! – ela disse apontando o cigarro para frente.

Pablo respirou fundo para não bufar. Paciência, paciência.

– Parar com o quê? – perguntou sem tirar os olhos da pista.

– Isso! Ficar balançando a cabeça desse jeito. Dá nervoso.

– Ah. – ele nem tinha percebido que estava fazendo aquilo. – Ah, Rafa, não dá pra ouvir I wanna be sedated sem balançar a cabeça.

Ela soltou a fumaça bem devagar. A música terminou. A próxima era do The Clash. Ela começou a bater o pé.

– Viu só? – Pablo provocou. – Não dá pra ouvir Should I Stay or Should I go sem bater o pezinho.

– Tá bem.

“Tá bem”. Era assim que muitas conversas terminavam. Aquela viagem era para ser legal, divertida, era para esquecer todas as merdas que aconteceram – ou pelo menos tentar. Mas não estava funcionando tão bem quanto Pablo pensara.

Dali a poucos dias completaria um ano que os pais de Rafaela morreram naquele estúpido acidente de carro. Contraditório, no mínimo, que Rafaela e Pablo estivessem agora mesmo, dentro de um carro, justamente em uma estrada e por uma ironia quase risível na mesma estrada na qual os pais dela morreram. Só que isso não era nenhuma coincidência. Para a garota, fazer aquela viagem era como uma jornada indispensável, tão inquestionável quanto aquela que Frodo e Sam fizeram em direção a Mordor. Ela queria passar pelo último lugar que seus pais estiveram. E, segundo ela, isso era necessário para que pudesse superar o que aconteceu. Se é que isso era possível.

Para piorar, era época de Natal. O primeiro Natal sem eles. O primeiro Natal de Pablo e Rafaela: sozinhos. Não era assim que Pablo queria que fosse o primeiro Natal dos dois, mas era assim que seria. Mas a quem estava tentando enganar? Ele também nunca gostara muito do Natal – talvez porque nunca tivera um de verdade. Seus pais eram separados. Sua mãe não comemorava a data. Seu pai preferia dividir o peru com as amantes. Um belo dia, quando completou dezenove anos e arrumou um emprego, Pablo foi morar sozinho – em um quarto minúsculo e fedorento, que apesar de tudo conseguia chamar de lar, algo que nunca conseguiu chamar a casa do pai ou da mãe.

Já Rafaela não; ela tinha tudo. Pais, casa, família. Lar. Mas ao mesmo tempo perdera tudo de uma vez, em uma batida. PUM. Seus pais morreram. PUM. Toda a sua família se foi. PUM. Sua vida acabou.

Então ali estavam os dois, Pablo dirigindo seu Fusca verde (o Azeitona) e Rafaela fumando e olhando pela janela a praia passando veloz. Na véspera de Natal. E estava escurecendo.

– Onde vamos passar a noite? – ele perguntou casualmente, omitindo o fato de que era a noite de Natal. Mas ele sabia que ela sabia. – Na praia de novo?

Eles passaram várias noites na praia ou dentro do carro. Era louco, sabiam, mas estavam loucos (ou não estariam fazendo essa viagem). Naquele dia, estavam pegando a rodovia Rio-Santos, porém tinham começado a viagem no sul de Santa Catarina. Tentavam margear o litoral o máximo que conseguiam. Não tinham pressa, afinal, nem sabiam onde queriam chegar. Quer dizer, Rafaela sabia, pois tinha sido ali, naquela estrada, que perdera os pais. Ela não estava presente no dia do acidente (ou estaria morta também) e, por isso, queria ver o lugar com seus próprios olhos. Sabia que isso não os traria de volta, mas às vezes as pessoas simplesmente tem que fazer algumas coisas e era nisso que ela se apegava. Era a sua jornada.

– Hoje não… – Rafaela disse bocejando. Amassou a butuca de cigarro debaixo do tênis e a deixou lá. Pablo fez uma nota mental para sacudir o tapete do Azeitona, que deveria estar cheio de butucas. Ela se virou para o banco traseiro, empinando a bunda. Ao vê-la, Pablo teve a súbita vontade de arrumar um teto e uma cama para ficarem. Especialmente a cama. Rafaela, no entanto, estava concentrada em sua busca, mas só havia latinhas vazias de cerveja barata jogadas no banco traseiro do precioso fusquinha de Pablo. E vários pacotes de salgadinhos porcaria vazios. – Tô com fome. – ela anunciou, voltando a se sentar no banco. A visão da bunda desapareceu.

– Bem, então ou a gente dirige até a próxima cidade ou procuramos algo à beira da estrada.

– A próxima cidade tá longe. – Rafaela indicou o polegar para trás, lembrando-o da placa pela qual tinham passado uns cinco minutos antes.

– Então fica de olho na estrada.

Mais alguns minutos se passaram enquanto a noite caía rapidamente. Pelo rabo do olho, Pablo conseguia ver a paisagem à direita. Muitas vezes eles paravam o carro e tomavam banho de mar. Rafaela ria de vez em quando nesses momentos. Mas era apenas uma sombra do riso que ele conhecera um dia. Ele só estava se enganando quando ficava feliz ao ver aqueles sorrisos vazios.

– Pousada a dez quilômetros! – Rafaela disse bruscamente. Tão depressa que Pablo tomou um susto que fez Azeitona balançar fora dos eixos. – Ei, toma cuidado! Tá muito cedo pra gente morrer.

– Não foi nada, não foi nada…

Era uma plaquinha medíocre e desgastada. Pablo nem conseguia imaginar como Rafaela a enxergara. Depois disso, a estrada saiu do litoral. Cinco quilômetros adiante havia outra plaquinha idêntica e outra a apenas um quilômetro. Ali a estrada era cercada por árvores altas e escuras. Quando chegaram ao local, precisaram pegar uma saída da estrada principal, em direção ao litoral novamente. Era uma estradinha de barro batido e Pablo ficou feliz que não estivesse chovendo caso contrário Azeitona não aguentaria.

Ele desligou o rádio para se concentrar na estradinha. Até Rafaela parecia prestar atenção.  Em algum momento de silêncio o estômago de um dos dois roncou: eles se entreolharam. Pablo sorriu. Rafaela só tentou.

– Espero que tenham comida nesse lugar. – Pablo comentou o que os dois estavam pensando.

– Eu comeria até o seu pé fedorento no momento. – Rafaela falou, rindo daquele jeito estranho que ela ria ultimamente.

Era uma frase que Pablo lembraria mais tarde.

Quando a estradinha finalmente acabou (ela parecia que não terminava nunca), eles já conseguiam ver a praia. A pousada não passava de uma pequena casa de dois andares que até seria bonita se a tinta da fachada não estivesse tão descascada. Havia uma luz amarela e tímida nas janelas. Pablo desligou o carro. O barulhão do motor cessou.

– E aí? – perguntou para Rafaela. A garota ainda observava a casa quase hipnotizada. – Rafa?

Ela fez um barulho que era um casamento de “hum” e “gr”: só mais um dos seus resmungos.

– Vamos entrar! – ela falou depois de algum tempo, com a sua corriqueira empolgação fingida. Pablo deu de ombros, tirou as chaves da ignição, apanhou a mochila no banco traseiro e bateu a porta ao sair. Rafaela já estava andando à sua frente. – Será que é permitido fumar aí dentro?

– Você já quer fumar de novo?

– E qual o problema?

Desde o acidente Rafaela adquirira esse hábito. Era verdade que Pablo também fumava, mas ele não era nenhuma chaminé ambulante. E Rafaela parecia estar prestando vestibular para essa profissão.

Pablo ia tocar a campainha, porém Rafaela empurrou a porta, que estava apenas encostada. Os dois adentraram uma pequena sala de espera. As paredes eram de madeira antiga e descascada, mas havia quadros pendurados, quase todos pinturas a óleo de flores em cores vivas. Para onde olhassem, o lugar se assemelhava a uma casa de boneca – só que velha. Quadros, toalhas com estampas floridas cobrindo as mesas, cortinas cheias de babados. Pelo menos não parecia ser a casa de nenhum louco, foi o primeiro pensamento de Pablo.

Não havia nenhum recepcionista no pequeno balcão à frente deles. Um vaso de flores meio murchas e um globo de neve eram os únicos ornamentos sobre o tampo de madeira.

Rafaela pegou o globo de neve para examiná-lo. Ela o limpou com a camiseta, reclamando que estava cheio de poeira. Pablo fez um “shhh” ao ouvir o barulho de passos descendo a escada. A garota não pareceu se importar. Revirava o globo com impaciência, resmungando algo sobre a neve nunca parar de cair.

Quem descia as escadas era uma velhinha encarquilhada. Quando ela estava a uns cinco degraus do térreo, Pablo se apressou em tentar ajudá-la, mas ela o dispensou com um sorriso e um gesto da bengala, dizendo que os exercícios faziam bem para as suas juntas. Ela vestia um xale xadrez rosado e parecia que poderia quebrar se alguém encostasse um dedo nela.

– Boa noite, minhas crianças. O que dois jovens tão bonitos fazem na velha pousada da Dona Carmem?

A voz dela também parecia que ia rachar. O casal se entreolhou, mas foi Rafaela quem falou primeiro.

– Gostaríamos de um quarto. E comida. Não necessariamente nessa ordem.

A velha sorriu. Por alguma razão, Pablo achou que se parecia com o sorriso de Rafaela, mas não conseguia identificar o porquê.

– Ah, nós temos os dois, minha querida. – a velha chamada Carmem se arrastou uns dois passos até o quadro de chaves e pegou uma daquelas muito antigas, meio enferrujada e com alguns símbolos incrustados nela. Pablo tentou pegá-la, mas a velha deu as chaves a Rafaela. Era impressão ou ela estava ignorando a presença de Pablo ali? – Vejo que estão de carro. – ela disse logo depois que afastou a cortina de babadinhos da janela para espiar.

– Sim. Aquele é o Azeitona, meu fusquinha.

Pablo não sabia por que tinha compartilhado aquela informação. Sentiu-se meio idiota após as palavras saírem de sua boca. A velha apenas assentiu com a cabeça, parecendo pouco interessada.

– Vamos, crianças. O meu neto e eu já estávamos começando a jantar. Vocês podem se juntar a nós.

– Que ótimo, estou faminta! – disse Rafaela e seguiu a velha sem hesitar. Pablo estendeu a mão, gostaria de ter uma palavra a sós com a namorada, mas se deteve. Que sensação esquisita. Vai ver era a fome. Acabou seguindo as duas.

Não conseguiu deixar de perceber que não havia decorações de Natal. Claro que aquilo era ótimo para Rafaela, porque toda vez que ela via uma árvore de Natal seu nariz dava uma volta completa no rosto, tão feia era a sua careta. Em um posto de gasolina, uma vez, quando ninguém estava olhando, ela chutou uma árvore. No dia parecera divertido, como uma rebelião contra a data, o consumismo da época ou algo assim. Depois só parecera triste.

A cozinha era grande e abafada, mas dava a impressão de ser menor. Era bastante atravancada por causa de uma mesa enorme no meio dela, com seis cadeiras de espaldar alto e aparência antiga – como tudo ali. Havia um menino loiro e cheio de espinhas sentado na cabeceira da mesa. Usava um boné vermelho muito grande que o deixava com a cabeça maior do que o normal. Ele não devia ter mais de cinco anos de idade e estava acomodado sobre uma montanha de pelo menos três travesseiros para que fosse possível alcançar a mesa, do contrário provavelmente apenas o topo do seu boné tocaria o prato (decorado com flores rosa). O menino parecia muito sério e compenetrado, mas quando seus olhos encontraram o novo casal de hóspedes, Pablo percebeu que seus olhos claros – que pareciam amarelos, mas poderia ser só efeito da luz – se arregalaram por um segundo e depois todo o autocontrole retornou.

– Esse é meu neto. – Dona Carmem disse. – Sentem-se, crianças, por favor.

O menino deveria estar acostumado a fazer suas refeições com pessoas estranhas já que não pediu nenhuma explicação à avó e nem ela fez menção de explicar coisa alguma.

Rafaela e Pablo se sentaram à mesa. Houve um momento de silêncio um tanto constrangedor, no qual Pablo arriscou puxar conversa:

– Então você mora com a sua avó? Qual o seu o nome?

O menino não respondeu, apenas ficou olhando fixamente para Pablo como se o considerasse muito interessante. Na verdade era um pouco desconcertante. A velha sorriu aquele seu sorriso modelo “Rafaela” e disse:

– Meu neto é um pouco tímido. – ela entregou um prato limpo para Rafaela e outro para Pablo. – Achei que estivessem com fome.

– Ah estamos famintos! – Rafaela disse e logo começou a encher o prato de batatas com queijo, frango assado e arroz. Não era uma ceia de Natal. O único item de Natal em toda a cozinha (e na casa também) que Pablo detectou foi um grande panetone sobre a bancada do armário. – Está delicioso! – a garota disse com a boca cheia.

O menino loiro estreitou os olhos e sorriu, observando Rafaela comer.

– Sirva-se também, garoto. – a velha insistiu.

Pablo não podia negar que aquilo estava realmente gostoso. Fazia um bom tempo que não faziam uma refeição decente. Há vários dias estavam vivendo à base de batata frita, salgadinhos e bolachas recheadas. Seu estômago agradeceu.

No entanto, a velha e o menino mal tocaram na comida.

Quando terminaram de comer, Rafaela perguntou se havia alguma sobremesa. A velha sorriu, levantou-se com alguma dificuldade e apanhou o panetone sobre a bancada; colocou-o na frente de Rafaela.

– Sirva-se, minha querida.

Rafaela torceu um pouco o nariz, apenas aquele milímetro que Pablo não conseguia deixar passar batido. Ela estava se esforçando para ser gentil e educada, mas continuava avessa ao Natal em qualquer uma de suas formas. Seu único comentário foi:

– É de frutas?

– Não, é de chocolate. – a velha disse, ampliando o sorriso. – Acho que vai gostar. É caseiro. Eu mesma preparei.

– Ah… – o sorriso de Rafaela era amarelo. – Tudo bem.

Ela olhou para Pablo, que deu de ombros e fez um gesto para que ela comesse. Sabia que a garota adorava doces e vamos concordar que toda aquela restrição ao Natal e a tudo que se relacionava a ele já estava ficando meio ridícula. Comer um panetone de chocolate não era nada demais.

– Você não quer, Pablo? – ela perguntou, enquanto mordia um pedaço. – Hum, está gostoso mesmo!

– Não quero me gabar, crianças, mas tenho uma boa mão para isso. – Dona Carmem disse. – Sirva-se também, meu garoto.

– Não, obrigado… – Pablo respondeu. – Eu não gosto de comer doces logo em cima da comida. Ainda estou com o sabor gostoso das suas batatas na boca.

Era verdade, Pablo sempre agia dessa maneira e Rafaela sabia disso. Porém, o olhar que ela lançou era tão reprovador que ele até ficou envergonhado. – Isso aqui está realmente muito bom, Pablo! Você tem que comer!

Tanto a velha quanto o menino o encaravam. Pablo começou a sentir a sua nuca suar.

– É, eu aceito um pedaço para levar para o quarto, se a senhora não se importar. – ele emendou. – Aí eu como mais tarde.

Todos os três sorriram ao mesmo tempo, como que sincronizados. A velha logo cortou um grande pedaço e colocou em um prato. Ela se levantou e o embalou em papel alumínio, entregando-o para Pablo.

– Não deixe de comê-lo.

Soava como uma ordem.

Continua…

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