Degustação – A Dama das Ameixas [Dragões]

Nem sempre escrevo histórias de terror. Portanto, se você não curte esse tipo de história, não precisa fugir de mim! (sou uma pessoa legal… às vezes O_o) Em alguns momentos, faço textos mais sensíveis, e um exemplo é esse conto publicado pela Editora Draco. Em A Dama das Ameixas, uma jovem amaldiçoada encontra refúgio em conversas e frutas roubadas, descobrindo a amizade e, com ela, a felicidade de um sentimento verdadeiro. É um conto de fantasia e romance, publicado originalmente na antologia Dragões, e também publicado de maneira solo nos Contos do Dragão, na Amazon, no Kobo e no Google Play.

a dama das ameixas

Se você ficou curioso, que tal uma degustação da história? Leia a primeira parte dela, aqui no blog, de graça, ou no Wattpad!

Dragões – A Dama das Ameixas

Karen Alvares

primeira edição

editora draco

são paulo

2012

Conto do projeto Dragões da Editora Draco. Eleonora tem apenas trinta dias para viver e nenhuma lágrima para chorar. À medida que o tempo escorre depressa, ela precisa escolher entre a efêmera felicidade que nunca experimentou e sua própria vida amaldiçoada.

Todos os direitos reservados à Editora Draco
Publisher: Erick Santos Cardoso
Produção editorial: Janaina Chervezan
Revisão: Eduardo Kasse
Ilustração da capa: Ericksama
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Ana Lúcia Merege 4667/CRB7

A Dama das Ameixas

por Karen Alvares

Apenas alguns metros a separavam da porta de madeira lascada que parecia mais velha e mal cuidada do que na última vez que a tinha visto. Porém, era como se uma barreira gigante a separasse dali e impedisse de bater à porta.

Na verdade, o que a separava daquela casa – e daquele mundo – eram exatamente onze meses.

Eleonora fechou os olhos cansados e suspirou. Estava frio. Ela se abraçou aos trapos que vestia, sentindo o vento gélido penetrar seus ossos. Tinha fome, muita fome. E sede. Sempre sentia muita sede no primeiro dia, como se jamais tivesse visto água na vida. E sabia exatamente o porquê.

Quando, pelo que ela acreditava ser a décima vez naquela noite, ela ergueu o punho direito fechado, a centímetros da porta, a mesma se abriu lentamente, rangendo como se não fosse aberta há muito tempo. A jovem engasgou, abaixando a mão enquanto seu coração batia depressa.

Um homem, que aparentava mais idade do que possuía, abriu a porta. Eleonora percebeu que agora seus cabelos e sua barba estavam completamente brancos, mesmo que no ano anterior estivessem apenas grisalhos. Ele tinha envelhecido, e ela não tinha visto isso. Pior, sabia que aquele homem agora era um velho por sua culpa.

A voz da jovem tinha um certo tom agudo e sibilante quando finalmente conseguiu dizer:

– Olá, pai.

Um sorriso se formou em meio à longa, suja e descuidada barba branca do velho. Sua voz saiu rançosa e rachada quando respondeu, com uma alegria que não aliviava o coração aflito de Eleonora:

– Entre, minha filha, está gelado aí fora!

O barulho do vento permanecia audível mesmo com a porta fechada, mas ao menos o frio tinha sido um pouco abafado. O casebre era simples e aconchegante, como a jovem se recordava, e um fogo crepitava em uma lareira pobre e improvisada. O calor do fogo abrasava o ambiente, mas não agradava Eleonora; ela não gostava do fogo.

Desviou os olhos e cobriu-se com as roupas esfiapadas; sentia-se nua.

– Filha, você quer alguma coisa? Eu já preparei a tina quente para você tomar um banho. Está com fome?

O pai fizera todas essas perguntas de maneira rápida e ansiosa. Ele ainda sorria, como se a presença de Eleonora ali fosse uma bênção. Ela abaixou novamente os olhos, envergonhada.

– Pai…

– Um pouco de água? Você sempre chega com sede.

A jovem acabou assentindo, sem falar. Ela esperou próxima à porta, meio encolhida, sem se sentar. Sentia vontade de fugir, mas também queria ficar. Quando o pai trouxe uma pequena tigela de barro, cheia de água até a boca, ela bebeu com voracidade e sem os modos que uma dama supostamente deveria ter. Mas ela não era uma dama. O pai não parecia se importar, apenas continuava sorrindo, com aquele ar ansioso. A água nunca parecia ser suficiente para Eleonora, então ela engoliu mais duas tigelas cheias antes de dizer ao velho senhor que era o bastante por ora.

– O senhor… o senhor me preparou um banho? – ela perguntou hesitante, e quando o olhar dos dois se encontrou, o homem sorriu com lágrimas nos olhos.

– Eu jamais duvidei que viria, filha. Sabe que eu jamais duvidaria. Você apenas se atrasou um pouco dessa vez.

Eleonora sentiu o aperto na garganta que não tinha nada a ver com o fogo. Porém, também sabia que seria impossível chorar, uma das coisas que ironicamente sentia mais falta.

Sem dizer nada, o pai a encaminhou até a tina de madeira. O ar era úmido no quarto, e uma fumaça branca serpenteava lentamente acima da água. O velho senhor lhe entregou roupas e toalhas simples, porém limpas. Ela sentia falta daquilo também.

Quando o pai lhe deu privacidade, ela se aproximou da tina e encarou seu reflexo turvo refletido na água. Sem perceber, passou os dedos sobre o rosto delicado e cheio de cicatrizes. Os cabelos castanhos caíam sobre os ombros, maltratados, sujos e chamuscados nas pontas. Os olhos tinham a cor do mel das abelhas, mas ela conseguia enxergar, bem no fundo, o vermelho que queimava neles.

Encheu as duas mãos com a água morna da tina e lavou o rosto. Gotas escorreram por ele, como lágrimas quentes, que Eleonora desejava ardentemente serem dela própria.

Continua…

Ficou curioso? Então adquira seu exemplar por apenas R$ 2,99 na Amazon, no Kobo ou no Google Play!

Adicione o conto à sua estante no Skoob. E conheça também a antologia Dragões!

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