Top 10: Melhores lembranças literárias

Esse post escrevi lá para o blog Por Essas Páginas, onde sou colunista, faz algum tempo. É um exercício de nostalgia. Vale a pena vocês pensarem também nas suas melhores lembranças nem que seja apenas para sorrir – e isso já é muita coisa, não?

Todo mundo tem histórias para contar. Boas memórias. Como somos fascinados por livros, algumas das nossas melhores lembranças envolvem a literatura. Os livros por si só já são uma maneira de criar sonhos e boas lembranças, apenas por lê-los; porém, quando essas memórias saltam dos livros e passam para a vida real – bem, aí sim a coisa fica realmente maravilhosa. E essas são as minhas melhores lembranças literárias.

Antes, uma observação: pensei em colocar as lembranças em um ranking de 1 a 10, mas depois vi que isso era impossível: não há como dizer qual é a melhor. Todas são especiais à sua maneira. E tenho certeza que 10 é um número limitado de lembranças.

marioprataMario Prata em um cruzeiro (fevereiro/2009)

Lá estava eu, viajando com meus pais no primeiro cruzeiro de nossas vidas. A viagem era temática e, bem, como fui com meus pais, era um tema super leve: qualidade de vida. Isso englobava muitos esportes e dicas de saúde, mas um belo dia me deparei na programação com uma palestra do escritor Mario Prata em um dos bares (e tinha que ser em um bar, né, Pratinha?). Decidi ir, mesmo sozinha, pois meus pais resolveram fazer outra atividade. Naquela época já gostava de escrever e já tinha, bem lá no fundo, o sonho tímido de virar escritora. Não conhecia o autor direito… confesso que, na época, não tinha lido um livro sequer dele, apenas assistido a novelas e alguns filmes de sua autoria. Mas esperava que ele falasse sobre a carreira, sobre suas aspirações como escritor e os causos dessa vida. Fui lá e a palestra foi ótima; quase no final, meus pais apareceram. Quanto terminou, Mario Prata abriu para perguntas, e aí foi aquele “Deus nos acuda” de várias velhinhas perguntando sobre suas novelas antigas. Ele foi bem simpático com elas, apesar de meio entediado… (foi o que eu achei). Quando terminaram as perguntas e ele estava conversando com algumas pessoas descontraidamente, minha mãe me cutucou e disse: “vamos lá?”. E eu fiquei paralisada, como assim, vou lá e vou dizer o quê? E ela insistiu que eu tinha que falar que queria ser escritora, que ele deveria saber disso, que tinha alguém na platéia que queria ser como ele e, já que eu não disse isso pra todo mundo, que deveria dizer ao próprio. Minha mãe era uma pessoa teimosa, quando ela queria mesmo algo, ela fazia – ou obrigava a pessoa a fazer. Nós nos aproximamos e esperamos todo mundo falar com o Mario. No final, ele olhou para a gente e disse “vocês estão esperando aí faz tempo”. A gente se apresentou e minha mãe foi logo dizendo que eu queria ser escritora como ele, que eu escrevia textos na internet e foi me cutucando “fala, fala, Karen”. E bem, aí eu falei, né? Falei que fazia alguns textos – por diversão, mais – na internet, fanfics e por aí vai. E que gostava muito de ler e escrever. Ele ficou genuinamente feliz e disse que isso era raro hoje em dia, ainda mais em jovens, e falou “que tal você ir na minha cabine amanhã, livromarioprataa gente conversa um pouco sobre isso e eu tenho um livro para te dar” e então me deu o número de sua cabine, para que eu ligasse. Fiquei nervosíssima, claro. No dia seguinte, a primeira coisa que minha mãe me perguntou foi “você não vai ligar para o Mario Prata?”. Quase tremendo, liguei para ele pela manhã e ele disse que não estava ocupado, que eu poderia visitá-lo. Fui lá e ele me atendeu com muita simpatia, bastante atencioso; mostrou-me sua cabine chique e disse que isso era uma das coisas mais legais de ser escritor – ganhar essas coisas. Pediu para que eu sentasse e começamos a conversar sobre livros e sobre a profissão. Ele me perguntou várias coisas e eu a ele. Ele me deu dicas e disse que era um sonho difícil, mas que eu deveria persistir. No final, ele me deu um livro – Sete de Paus, na época ele estava se aventurando nos romances policiais, era seu romance de estréia no gênero – e escreveu uma dedicatória que sei de cor: “Karin (ele escreveu meu nome errado! rs), leia tudo – até bula, escreva tudo – menos bula! Atlântico – 2009″. Preciso dizer que essa lembrança – e claro, esse livro – são dois dos meus maiores tesouros?

Bienal do Livro de São Paulo com a Lucy (agosto/2012)

Nunca tinha visitado uma Bienal. Incrível, não? Eu sempre quis, mas nunca foi possível. E aí, nesses meses horríveis da minha vida (junho/julho/agosto 2012), a querida da Lucy diz que vai ter a Bienal em São Paulo e que ela tá a fim de ir – e me convida. Eu não sabia  se conseguiria e só bem em cima disse para Lucy que poderia ir. Fomos em um sábado e nos encontramos lá no local – eu, a Lucy, o sobrinho dela e meu marido. Foi um dia inteiro de risadas, livros, comida improvisada, livros, muito peso a carregar, mais risadas e mais livros. Foi maravilhoso e uma das poucas lembranças boas que tenho desses meses.

Lançamento de livros da Editora Andross (junho/2012) 

No evento Livros em Pauta, da Editora Andross, lancei 5 contos de minha autoria em livros – livros de verdade! – pela primeira vez. Lá estava meu nome impresso em três livros da editora. Lá estava eu autografando livros. Lá estavam a minha família e bons amigos que vieram me prestigiar – e o pensamento de outros amigos queridos que não puderam estar presentes. Além disso, no mesmo dia, estava lá também a Melissa de Sá, do Livros de Fantasia, uma autora companheira de letras e amiga querida, também lançando um livro seu, e foi também uma oportunidade de conhecê-la. Foi um dia muito, muito bom.

A época de ouro das fanfics (+ – 2002 a + – 2007) 

Houve uma época, mais ou menos entre o 3.º livro de Harry Potter, mas principalmente entre o 4.º e  o 5.º livro que os fãs estavam desesperados: não se sabia quando o quinto livro chegaria às prateleiras, não se sabia sobre o que seria a história, não se sabia por muito tempo nem ao menos o nome desse livro. Foi um hiato doloroso na série. E o que os fãs fizeram então? Começaram a criar novas histórias, suas histórias, desesperadamente. Não digo que foi aqui que começaram as fanfics de Harry Potter, muito menos as fanfics de modo geral, que existem há muito e muito tempo, porém foi uma época na qual o termo se popularizou, quando quase todo mundo que era fã escrevia fanfics. Hoje há até mesmo fanfics que viraram livros – a maioria nem é de ficwriters de Harry Potter. Mas por que estou insistindo especificamente nas fanfics de Harry Potter? Porque foi o que eu vivi – e todas as meninas aqui do blog, se me permitem dizer. Nós e outros amigos escrevíamos e líamos loucamente, tentando encontrar mais e mais histórias do maravilhoso universo de J. K. Rowling. Pessoalmente, foi uma época maravilhosa por dois motivos: eu era adolescente e não posso dizer exatamente que foi a melhor época da minha vida, eu não era muito popular, nem mesmo entre meus poucos amigos, e algumas vezes a escola era uma tortura – e não por causa das provas e sim das pessoas. Eu escrevia e escrevia, e as fanfics são ótimas pois você vê o retorno rapidamente, vê pessoas comentando e gostando do que você escreve, pedindo por mais. E o segundo motivo é porque foi assim, escrevendo, que além de encontrar minha própria voz, eu encontrei bons amigos – de verdade.

Visitar a casa do Jorge Amado em Ilhéus (fevereiro/2009)

Por acaso foi na mesma viagem que me referi ali em cima, onde encontrei o Mario Prata. Passamos pela cidade de Ilhéus, na Bahia (linda, por sinal) e lá havia a casa do escritor Jorge Amado. Novamente foi uma empreitada literária que fiz quase sozinha – meus pais ficaram do lado de fora, visitando as lojinhas da rua. Já eu fiquei maravilhada ao ver obras desse grande escritor, a sua máquina de escrever, seus objetos, suas paredes. Fiquei pensando que ele viveu ali e escreveu tanta coisa boa sobre nosso Brasil debaixo daquele teto. É uma experiência que também jamais esquecerei.

Cerimônia de entrega do Prêmio SESC/DF (novembro/2012)

Bem, não há quem não leia meus posts (inclusive esse) e não saiba que aspiro ser escritora. Portanto, uma das coisas que mais faço é participar de concursos literários. Até o final do ano passado, eu jamais tinha vencido concurso algum, mas cheguei a mandar meus textos para vários: contos, novelas, livros e crônicas. Mais ou menos no final de outubro recebi a grande notícia que tinha vencido o Prêmio SESC/DF que é um dos mais prestigiados no cenário nacional de concursos literários. Não sabia qual era a minha colocação, mas sabia que estava entre os 3 primeiros de algum dos dois concursos que participei: o de crônicas (Prêmio Rubem Braga) ou o de contos infantis (Prêmio Monteiro Lobato). Ganhei as passagens aéreas (e foi a minha primeira vez em um avião!) e também a hospedagem. Chamei meu marido e meu pai e, junto com os dois homens da minha vida, segui viagem até Brasília para receber o prêmio. Foi uma das melhores experiências da minha vida – literária e também pessoal. Lá encontrei colegas escritores, gente muito bacana e inteligente, que gostavam das mesmas coisas que eu: literatura. E, claro, recebi meu 3.º lugar no Prêmio Rubem Braga de Crônicas, emocionadíssima. Guardo o troféu e a lembrança maravilhosa desse dia com o maior carinho do mundo.

O dia que terminei de ler Deathly Hallows (julho/2007)

Foi como o final de uma era – e na verdade foi mesmo. Mas mais que o final da série, fechar aquelas páginas marcou uma passagem de quem eu fui para quem eu seria. Não sei se é demais dizer que uma série de livros moldou em parte quem eu sou hoje, mas vou dizer mesmo assim; na verdade, para mim não é exagerado dizer isso porque realmente é verdade. Harry Potter é responsável, em vários sentidos, na pessoa que sou hoje. E lembro perfeitamente do dia em que terminei o último livro – Deathly Hallows, pois estava lendo em inglês e esse é mais um motivo pelo qual a série me mudou, ela até me fez ler em inglês! Lembro da sensação doce e amarga de saber o final, saber que tudo terminou (quase) bem e saber também que não haveria mais a história favorita da minha vida. Lembro que terminei o último capítulo e hesitei antes de ler o epílogo – será que deveria guardar um pedaço inédito do livro para sempre? Lembro de ter pensado que estava perdendo amigos – apenas para reencontrá-los mais tarde, em outras leituras. E não é isso que todo livro faz com a gente, em maior ou menor grau?

Os primeiros livros que minha mãe me deu (infância)

Minha mãe gostava muito de ler. Quando eu era criança ficava babando na estante dela – que era modesta, porém para mim parecia enorme. Ela tinha vários livros da Agatha Christie e foi por aí que comecei a gostar de ler – além dos livros que pegava na biblioteca da escola, claro. Quando ela disse que todos aqueles livros eram meus e, o dia que eu me casasse e me mudasse poderia levá-los para minha casa (e realmente os livros estão todos comigo agora)… bem, só posso dizer que foi um dia muito feliz.

Conhecer meus bons amigos através de Harry Potter (2002 – até hoje)

Sei que estou me repetindo, falando bastante de Harry Potter, mas o que posso dizer se é uma das minhas melhores memórias literárias? Como eu disse lá em cima, foi por causa dessa série e da necessidade de falar sobre ela, de discutir e fazer teorias, de ler fanfics e simplesmente conversar com pessoas que gostassem das mesmas coisas, foi devido a tudo isso que conheci pessoas fantásticas, pessoas que não imagino fora da minha vida. Na verdade, até a existência desse blog que vocês visitam é devido a Harry Potter: é devido ao fato de que eu, a Lucy, a Vânia, a Mi e a Lany nos conhecemos através da paixão por esses livros que, depois, descobrimos ser maior do que isso e ser a paixão pela literatura. Descobrimos também afinidades e divergências, descobrimos a amizade por pessoas que sequer encontramos pessoalmente ou que fomos encontrar apenas após muitos anos. E amigos são e trazem sempre boas lembranças.

Quando terminei meu primeiro livro (fevereiro/2012)

Já faz um ano que terminei de escrever meu primeiro livro. Era uma história que passava pela minha cabeça há muitos anos, desde o fim de minha adolescência e que só depois foi tomando forma, até virar uma ideia e, após muito trabalho e dedicação, tornou-se um livro. Foi uma enorme vitória quando escrevi as últimas palavras e lembro perfeitamente do que senti. Porém, o trabalho não está acabado: estou procurando por uma editora, ansiosa por fazer uma nova e maravilhosa memória literária – a do dia que conseguir que meu livro seja publicado.

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Comments
2 Responses to “Top 10: Melhores lembranças literárias”
  1. Nossa, quanta nostalgia mesmo! Nem precisa falar o quanto foi legal te conhecer no evento da Andross e no quanto as amizades de HP foram importantes. Posso roubar o post e fazer no meu blog? hahahahahaha

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    • Karen Alvares disse:

      Mas é claro que pode usar o meme! 🙂
      Foi muito legal todas essas lembranças. Tem muito mais, mas não cabe no post. E tem muito mais boas lembranças para construirmos aí. Se eu fizesse o post agora, incluiria “escrever a Space Opera com a Mel” porque aquilo foi uma aventura! hahahaha

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