Minhas inspirações: Mario Prata

Gente, como todos vocês já sabem, sou colunista no blog Por Essas Páginas. Lá temos várias colunas muito bacanas, entre elas, o Meu Autor de Cabeceira, onde falamos um pouquinho dos nossos autores preferidos. A primeira vez que escrevi essa coluna falei de um autor que sempre me inspira e que admiro de todo coração: Mario Prata. Além de ser incrivelmente talentoso, com sua escrita simples e muito inteligente – de um jeito que faz que a gente sinta como se estivéssemos sentados em uma mesa de bar ouvindo suas histórias e não apenas lendo um livro, Mario Prata também é um cara muito bacana, humilde e simpático, que tive o enorme prazer de trocar algumas palavrinhas sobre livros e o meu sonho de ser escritora. Por isso tudo, ele é um dos meus autores favoritos, senão o maior deles.

O post a seguir foi originalmente publicado na coluna Meu Autor de Cabeceira, do Por Essas Páginas.

Cheguei um pouquinho mais tarde no blog, então vários autores que eu amo já tinham estado na cabeceira de outras companheiras blogueiras do Por Essas Páginas: Stephen King – meu mestre e primeira opção -, Agatha Christie – um amor antigo, e até mesmo Rick Riordan. J.K. Rowling não vale, senão todas nós íamos sair aqui no tapa para falar dela. Então pensei: sobre quem vou falar?

E foi aí que ele veio na minha cabeça logo de cara. Mario Prata. Ele, que está na lista de autores que me inspiram, talvez mais porque ele, pessoalmente, já me incentivou a fazer o que amo. E querem coisa mais inspiradora e maravilhosa do que encontrar um autor, alguém que você-quer-ser-quando-crescer frente a frente? Calma, eu vou contar sobre isso também. Mas antes vou falar um pouquinho desse orgulho nacional. Acho que, depois de todos esses motivos, nada mais merecido do que falar de um dos mais versáteis e talentosos autores brasileiros dessa geração.

Como eu disse antes, ele é um dos autores mais versáteis que já tive a oportunidade de ler. Já fez de tudo. Teatro, cinema, literatura, televisão. E também já passou por vários gêneros: desde crônicas (e como eu adoro ler suas crônicas!) até mesmo infanto-juvenil. Tem aquele delicioso bom humor, mas também já fez drama, porque já fez novela e tantos outros trabalhos. É daqueles autores que você olha seu imenso currículo e pensa: uau, eu vou passar a vida inteira lendo e assistindo obras dele, porque tem tanta coisa. Que maravilha!

Conheci mais de sua vida lendo o livro “Minhas Mulheres e Meus Homens”. Quem leu a resenha, sabe que esse é um livro quase autobiográfico, mas de uma maneira especialmente divertida e irresistível. Mario Prata nasceu em Uberaba, Minas Gerais, mas cresceu em Lins, interior de São Paulo, onde adquiriu o gosto pela literatura. Aos 20 anos foi para São Paulo, capital, trabalhar no Banco do Brasil. Mesmo assim, não abandonou o amor pela escrita: ao mesmo tempo que trabalhava no banco, também era colunista, redator e editor na Gazeta de Lins. Escreveu seu primeiro livro enquanto estava na faculdade de Economia e, no ano seguinte, a primeira peça teatral. A partir daí não parou mais.

É escritor incansável e, além de todos seus trabalhos publicados, ainda possui vários inéditos, alguns postados em seu site. Para ele, ser escritor é uma profissão como outra qualquer (o que concordo em gênero, número e grau): não há uma musa inspiradora, segundo Prata; o que existe é talento e trabalho. Algumas vezes as coisas saem boas, outras ruins, como acontece com qualquer trabalhador, em qualquer área.

Mario Prata ainda tem a ambição de criar uma faculdade de escritores no Brasil (e eu estaria lá na primeira fila para me inscrever nela, se existisse); o curso, em seu projeto, formaria escritores de todos os tipos, não só de romances. Escritores até mesmo de manuais e bulas de remédio.

A foto está péssima. Minha câmera na época era horrível. Pobre é uma desgraça!

Ah, e como ele gosta de falar de bulas de remédio. Isso me lembra de quando o encontrei pessoalmente, como comentei ali em cima. Peço licença para abrir um parêntesis aqui e falar dessa minha experiência inesquecível. Faz pelo menos três anos, e eu estava em um cruzeiro de férias com meus pais. Distante do marido (namorado, na época), eu tentava aproveitar a parte cultural do navio (o cruzeiro era temático). Inclusive foi nessa ocasião que visitei também a casa de Jorge Amado, em Ilhéus, na Bahia. Durante a programação do navio, fiquei sabendo que teríamos uma palestra com um escritor famoso, autor de várias novelas, Mario Prata. Já tinha ouvido falar dele, claro, mas jamais tinha lido um linha dele – confesso! Mas fui à palestra, sozinha (meus pais quiseram fazer outras coisas), porque, bem, era um escritor e eu já tinha lá minha pretensão de me tornar escritora um dia.

Assisti toda a palestra atenta a cada mínima palavra, mas tinha vergonha de fazer qualquer pergunta. No final, meus pais apareceram, e minha mãe – como uma boa mãe – insistiu para que eu fosse falar com o autor, que, simpático, estava conversando com alguns passageiros no final da palestra. Eu estava morrendo de vergonha, mas minha mãe é bastante insistente. Esperamos todos fazerem suas perguntas e fomos as últimas. Chegando lá, minha mãe já chegou dizendo que eu adorava escrever – escrevia fanfics de Harry Potter, na época. Fiquei com mais vergonha ainda – o que ele iria pensar? Mas que nada, ele foi muito gentil. Disse que era ótimo escrever o que quer que fosse, e me convidou para visitá-lo no dia seguinte, para contar mais sobre minha ambição, e ele dividiria mais sobre a profissão. Fiquei maravilhada. Tiramos fotos e no dia seguinte eu estava lá, nervosíssima.

Ele foi muito simpático e ouviu tudo o que eu disse, sobre o que eu escrevia e um pouco de minhas ideias originais. Ele me deu conselhos, falou um pouco sobre si mesmo e me deu um exemplar de seu mais novo livro, “Sete de Paus” (ainda vou resenhá-lo no blog, em outra oportunidade), autografado com a mensagem “Leia tudo! Até bula! Depois escreva tudo! Menos bula!”

Talvez seja por essa ocasião que ele seja meu autor de cabeceira, talvez por suas crônicas irresistíveis, seus livros deliciosos ou ainda suas personagens cativantes. Ou talvez seja apenas porque ele é alguém que eu admiro, um modelo a ser alcançado. Seja como for, eu leio qualquer livro que seja de sua autoria. E deixo bem ao meu lado, ali, na cabeceira.

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