O grito sufocado [Um Ano de Medo]

Diante das manifestações que ocorrem agora em todo país, não pude deixar de também falar – ou talvez seja melhor dizer escrever – o que sinto. E o que sinto, meus compatriotas, é um grande sentimento de orgulho de ser brasileira. Povo saindo às ruas, usando sua voz para reivindicar seus direitos – nossos direitos -, direitos de todo cidadão. Infelizmente, o que estamos observando (quem acompanha da internet, que no momento é o melhor canal de informações) é a violência desmedida contra a população. E esse é o terror das ruas, da repressão, do grito sufocado há tanto tempo em nossa garganta. Por isso, deixo aqui expresso meu apoio, meu texto singelo em homenagem ao nosso povo lutador e uma toalha branca na janela. #OGiganteAcordou #PrimaveraBrasileira #RevoltadoVinagre #SemViolência #VemPraRua #VemPraJanela

* * *

grito_sufocadoDe repente, não mais que de repente, o céu tão negro tornou-se branco.

Não de estrelas, não de sol, mas de névoa. Turvo pelas lágrimas, o céu tingia-se pelo sangue que escorria dos nossos olhos e da nossa alma, que sangrou e sangrou por tanto tempo, calada.

O peito ardia. O grito não saía.

O silêncio é uma mordaça. Engasga como veneno. O silêncio é violento. Machuca como a lâmina. O silêncio é triste. Mata lentamente.

Gritos na rua. Pés no asfalto, sobrepondo-se depressa. Rosas despedaçadas no chão, com todos os seus sonhos pisoteados, como se nada significassem.

“CALE-SE! CALE-SE! CALE-SE!”, ouviam-se os altos brados ecoando na névoa. Ou seria “cálice”, como na música?

Será que nada mudou?

Será que é tudo isso em vão?

BUM. BUM. BUM. Tiros e explosões. Quem conseguia correr, corria. Quem conseguia se esconder, se escondia. Quem não conseguia, morria.

Por dentro.

A dor, a humilhação, os gritos. Os sonhos consumidos, as mãos engessadas, a voz calada.

Mas a dor, a dor você pode usar de duas maneiras: contra ou a favor. Você pode chorar e você pode enxugar as lágrimas. A dor na verdade é sua amiga. Uma aliada à coragem, aos sonhos e à esperança.

Não importa o tempo que for. O tempo é infinito e a vontade também. Não é possível impedir que as ideias floresçam, cultivando os sonhos.

E mais uma vez a névoa se dissipa, as lágrimas secam, o céu se torna negro. E quando o céu clarear será também um novo dia, com um novo sol e novas esperanças.

E o grito será ouvido.

* * *

toalha

Na falta de uma bandeira, aí está minha toalha branca na janela.

Post original no blog Um Ano de Medo.

Nota da autora (no blog Um Ano de Medo): Peço desculpas por esse conto não ser de terror como os que geralmente aparecem aqui. Ele fala de outro horror, aquele do dia-a-dia, o terror que permeia nossas vidas e cerceia nossa vontade, nosso progresso, nossos direitos. Quero deixar bem claro que esse conto é a minha opinião e somente minha, não do blog, não dos estimados colegas escritores. Cada um pode pensar o que quiser, pois essa é verdadeira beleza das ideias: elas pertencem a cada um de nós.

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