Tem hora?

Duvido que exista outra pergunta que seja mais dita do que essa. Ela surge entre amigos, conhecidos, estranhos. No elevador, na mesa de bar, na rua, no cruzamento, em casa e até mesmo nos lugares mais inusitados.

Como um banheiro público.

É uma das primeiras expressões que aprendemos em outra língua. “What time is it?” ou “Quelle heure est-il?” e ainda “Nanji desuka”.

E é uma pergunta tão universal que nem precisa ser dita. Basta apenas a ponta do dedo no pulso e todo mundo entende. Dizer as horas nem é uma questão de simpatia ou educação; tá mais para obrigação mesmo. Mas se a pergunta – ou sinal – for respondida com um sorriso no rosto, tanto melhor.

Tá certo que todo mundo tem celular. Com relógio. Até é mais fácil surpreender as pessoas checando as horas no celular ao invés do relógio de pulso. Mas vai dizer que você nunca foi surpreendido sem hora, seja você uma senhora ou uma menina?

E quando a perguntinha inicia uma conversa agradável entre pessoas que nunca se viram e talvez jamais venham a se ver novamente? Aquele papo descontraído, entre gente nova, que não iniciaria sem essa pequena pergunta. Talvez uma boa amizade comece assim, justo por causa da falta das horas.

É por isso que às vezes deixo meu relógio em casa. Só para ficar à toa, sem hora, e em alguma hora ter que perguntar.

Você, você aí! Faz favor? Tem hora?

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