Fanfics: eu não esqueci de vocês!

Por Karen

Em busca de terminar um livro, eu não poderia esquecer as primeiras coisas que realmente escrevi com dedicação e que, de verdade, foram o maior incentivo para que eu decidisse tentar essa carreira, não é?

Na verdade, eu gostaria de ter passado aqui com essa atualização antes do Natal, mas como não foi possível, ainda estou passando para postar em 2.011. Ufa! Agora posso terminar o ano com a sensação de dever cumprido – ou quase isso.

Apesar de estar trabalhando no meu projeto original, hoje terminei mais um capítulo da minha extensa fanfic de Harry Potter e aproveitei para também postar uma outra pequena fic que fiz, de terror (claro!), também da série, que pode ser conferida aqui, mas que vou dividir com vocês aqui do blog também.

O Conto do Coelho Suicida

A porta do pequeno quarto bateu com estrondo. O menino quase podia jurar que as paredes e que a cama de ferro tremiam. Tremiam tanto quanto a raiva que ele sentia.

Tom sentou na beirada da cama de colchão duro. Odiava aquela cama. Odiava aquele quarto pequeno e pobre. Odiava aquele orfanato estúpido, aquelas pessoas fracas e idiotas.

Mas naquele momento, a pessoa que mais odiava era aquele garoto infantil, aquele tal do Carlinhos Stubbs.

Eles tinham acabado de brigar feio no pátio. Todo mundo no orfanato viu Stubbs chamando Tom de esquisito, de aberração. Inclusive a patética Sra. Cole, que não fez nada, ela nunca fazia, aquela frouxa. Além disso, que importava? Tom não precisava de ninguém. Ele era independente. Ele protegia a si mesmo, sozinho, sempre foi assim. Ele não tinha mãe para protegê-lo, nem pai, e até era melhor desse jeito, na verdade. Desse jeito ele podia fazer o que bem entendesse.

E agora Tom tinha que fazer alguma coisa. Alguma coisa que ensinasse uma boa lição para aquele idiota do Stubbs. Algo que o fizesse se arrepender do que tinha dito. Tom não admitia atrevimento das outras crianças do orfanato, porque ele era melhor que elas. Não, elas não podiam brigar com ele, dizer qualquer coisa que fosse sobre ele, não podiam questioná-lo, porque ele era muito melhor, muito mais inteligente do que elas. Elas tinham que obedecê-lo, e se não fosse por bem, que fosse por mal.

Isso porque Tom sabia que era diferente… especial. Ele sabia que podia fazer coisas às pessoas. Principalmente coisas ruins se quisesse. E por isso, exatamente por esse motivo, ele era melhor do que as outras crianças. Elas eram simples e comuns, e ele, Tom, ainda seria alguém que todos conheceriam, ele tinha certeza disso.

É claro que antes disso ele precisava sair daquele maldito orfanato. Mas naquele momento tinha algo mais urgente a pensar. Uma maneira de se vingar de Carlinhos Stubbs.

Foi no final da tarde seguinte que aconteceu. Era a hora em que todas as crianças estavam no pátio, brincando com suas estúpidas bonecas de pano e seus tolos carrinhos de papelão. E Tom sabia que nenhum quarto estava ocupado naquele momento. E ele aproveitou para entrar furtivamente no quarto de Stubbs.

Não foi preciso nem procurar muito. Stubbs tinha um coelho branco, o Sr. White, que costumava ficar dentro de uma gaiola quando Stubbs não estava brincando com ele. A Sra. Cole sempre o mandava colocar o coelho ali quando chegava perto da hora do jantar, e Tom sabia que seria dali a pouco, de maneira que Stubbs já o tinha trazido de volta para o quarto vazio.

Tom se aproximou da gaiola. Estava trancada com um pequeno cadeado enferrujado. Não havia chave.

Mas Tom não precisava de uma.

Aquilo era brincadeira de criança. Ele nem precisou se concentrar; o cadeado abriu sozinho, foi muito fácil. Aquilo não era o que se chamava de um desafio.

Tom não precisou utilizar as mãos para tirar o coelho da gaiola. Dessa vez, ele precisou se concentrar um pouco mais, aquilo era um pouco mais complicado. Mas não demorou muito, alguns minutos encarando os olhos azuis do Sr. White, e ele já tinha abandonado a gaiola, guinchando alto, correndo pelo quarto alucinado.

Então ele flutuou. Um palmo, dois palmos, logo estava acima do armário. Tom torceu o pescoço para ver o teto de pé direito alto; havia traves nele, Tom não sabia o porquê, mas havia. Era como se estivessem em uma cela, não em um quarto. Claro, aquilo não era um lar. Tom não sabia o que era um lar.

Acontece que aquelas traves estúpidas seriam muito úteis agora.

O coelho foi subindo, subindo, retorcendo-se no ar de medo. Tom fez com que se calasse, para não atrair a atenção dos outros enquanto não terminasse o trabalho. O coelho só parou quando alcançou as traves do teto, os olhos azuis arregalados de terror.

As traves eram muito pequenas para que ele passasse. Então depois de alguns minutos de concentração, a cabeça dele diminuiu. Ficou engraçado, porque ela não estava mais proporcional ao corpo, que se debatia. E a cabeça passou pela trave, e apenas ali dentro, voltou ao tamanho normal.

Agora o coelho não podia sair mais dali.

E Tom o soltou e deixou a gravidade fazer o resto.

Mas ele não foi embora tão cedo. Esperou alguns minutos antes disso. Gostava de observar seus feitos. O coelho se retorcia, as grades apertando seu pescoço diminuto enquanto o corpo insistia em apontar para o chão. O bicho se debatia, arranhava, mordia, gritava sem som, Tom desviou de algumas pequenas gotas de sangue que caíram do teto quando ele arrancou pedaços de si mesmo na tentativa inútil de sair dali.

Até que acabou. Ficou sem ar.

Tom deixou o quarto sem sujar as mãos. Naquele dia, jantou muito bem, obrigado, e achou que a carne, o pequeno bife de seu prato, tinha gosto de coelho.

E riu sozinho em seu quarto mais tarde naquela noite quando os gritos de Carlinhos Stubbs atravessaram as paredes muito finas do orfanato.

Riu até rolar no chão, ah, se riu.

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Comments
6 Responses to “Fanfics: eu não esqueci de vocês!”
  1. Melissa disse:

    Essa fanfic é assustadora! E eu realmente consigo imaginar o mini-Voldie fazendo uma coisa dessas. Criança perturbada é foda…

    Eu tenho uma fanfic inacabada também. Quem sabe eu não animo a terminá-la depois do desafio louco?

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    • Karen Alvares disse:

      Ai você não sabe como me deixa feliz ver a palavra “assustadora” se referindo a algo que eu escrevi!
      Eu acho mini-Voldie e o adolescente-Voldie mais assustadores do que o próprio Voldie. Voldão ficou meio patético ao longo dos livros… hahaha Queria falar do pequeno Tom, abri Half-Blood Prince e lá estava o pobre coelhinho do Carlinhos Stubbs…
      Sim, Mel! Se anima a terminar! Eu fiquei pensando, poxa, eu estou escrevendo um livro… Não posso deixar inacabado meu primeiro projeto!

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  2. Ana Lúcia disse:

    Nossa, que anjo… pra não falar o contrário. Me lembrou aquele filme “anjo malvado” e outros que têm crianças diabólicas… rsrsrsrsrsrs

    O coitado precisa de uma psicóloga e de um exorcista… \o/

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  3. Thiago Kuhl disse:

    Tinha até esquecido de comentar e agradecer pelo presente de natal! A shortfic ficou ótima, uma ótima demonstração de uma lacuna do livro! E vou ficar esperando o meu presente de aniversário ! 31/07! hahah

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    • Karen Alvares disse:

      Oba! Que bom que gostou do presente! 😀
      Fiquei feliz que gostou da shortfic. Queria já há algum tempo fazer algo do Tom. Foi a oportunidade perfeita.
      Hahahaha pode deixar! Tá programado para dia 31/07. É uma meta!

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